Toco-me... logo, existo!

O que que te toca?… O que te toca pode definir-te. Como te toca, onde te toca, com que intenção. Na realidade, existem duas formas de algo nos tocar. Exteriormente, o toque directo, feito através do contacto, do corpo, da fisicalidade, dos sentidos, como quando algo que nos envolve ou nos acaricia. Interiormente, o toque subliminar, feito através da percepção, da mente, do espírito, das emoções, como quando algo que nos comove ou nos faz reflectir.

A intimidade da intimidade

Quem somos nós com os outros? Em que nos tornamos? De que forma transcendemos o que nos define para nos redefinirmos com alguém? Os níveis de contacto são vários. Da solidão à intimidade, da imensidão do vazio à imensidão da clausura, inúmeras são as formas de nos darmos com os outros, para os outros, aos outros. Consoante as ligações que criamos, os pontos comuns, as âncoras de interesse, as mutações que sofremos em conjunto, o crescimento, a aprendizagem, a abertura da consciência, da inteligência, das emoções, das sensações, do espírito, do ser… consoante a descoberta de novas visões do mundo por olhares que nos fascinam, maior será a nossa predisposição para nos permitirmos à intimidade.
E essa intimidade também tem várias nuances.

Prazer permitido

Num mundo de prazer proibidos, a que nos permitimos? Raramente sabemos o que vamos sentir em relação a algo até o sentirmos mesmo. Podemos ter inúmeras concepções daquilo que poderemos vir a sentir, mas a verdade é que a realidade do que sentimos e do que vivemos só é real quando se torna concreta. O que acontece muitas vezes, e por inúmeras razões, sobretudo na vivência feminina, é que as mulheres não se permitem sentir genuinamente, sobretudo quando se trata de sentir prazer.

Pause... play!

Quando se fala em menopausa, fala-se quase sempre em perda. Perdas biológicas, fisiológicas e mesmo psicológicas. A biologia das hormonas tem um decréscimo de acção e reação. A fisiologia do corpo sucumbe à pressão de forças externas e internas. E a psicologia da mente espirala em renúncias pessoais e depressões vorazes sem causas aparentes ou sequer concretas.

Mas isto é para quem quer ver o copo meio vazio. Porque, apesar de cada vez mais vivermos acima da “pausa”, seja dela ou dele, estamos também a aprender a perceber que a vida continua. E tem de continuar. Daí ser uma pausa e não um ponto final.

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